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RESPIGADORES

 

 

Les Glaneurs et la Glaneuse (2000) – o filme com que Agnès Varda, apoiada no quadro de Millet sobre o mesmo tema, (re) interpreta o termo glaneur, então condenado ao esquecimento por circunstâncias da sua desadequação, não às transformações dos hábitos sociais decorridos desde o século XIX até então, mas sim às searas propriamente ditas (que, sobretudo em meio urbano, sofreram alterações muito significativas ) –  inspira-nos.

 

Le glaneur, el espigador, o respigador; a origem do termo atribuido àquele que recolhe o sobrante de uma colheita, não impediu a sua adaptação à urbe contemporânea pelo que, todos os que se apropriam das sobras doutrém para proveito próprio, ainda hoje e sem que anacronismo algum tenham emergido, respigam.

 

Assente nessa apropriação do inútil e no desafio da sua conversão em objectos utilitários, a nossa actividade, enquanto respigadores, resulta em intervenções sobre áreas distintas como a arquitectura, cenografia ou decoração.

 

Materiais, métodos, técnicas, conceitos, mecanismos, construções, objectos – decrépitos, abandonados ou em desuso – são alvo preferencial do nosso exercício criativo e de profissionais de mérito reconhecido, de intermináveis áreas do conhecimento que o nosso saber desconhece que, pontualmente, convidamos a desafiar o engenho humano em parcerias que se pretende que resultem em produtos exclusivos e de elevado rigor intrinssecamente associado à sua concepção.

 

A durabilidade dos bens de consumo está cada vez mais ameaçada pela celeridade com que novas e aliciantes propostas são diariamente apresentadas. Prolongá-la por mais tempo é o propósito de RESPIGADORES.

 

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